Com o copo de chopp escondendo a boca, Fabão se revelara! No bar, meu chopp repousava a espuma entre os segundos daquela frase e da ação. Nós dois, bebendo e depois dirigindo, cada um no seu carro, andando juntos contra a lei. Mas ele queria conversar e acabamos, como bons e autênticos machos, tomando um chopp naquele início de noite para molhar a palavra. Agora esta, Fabão?Justo o Fabão, amigo meu de longa data, já trabalhou comigo naquela concessionária de carros usados na época do Collor, gay? Fabão, que catou minha prima loirinha do interior de Santa Catarina, era gay? Mas como? Como um cara desejado por 9 entre 10 amigas minhas, tinha virado gay? Ah, não importa... ele confidenciou: gay! Porra, Fabão... justo você? Você, que inclusive me apresentou o judô, esporte que sempre praticamos na terça e quinta... juntos! E aquele ippon? Aquela imobilização perfeita do mês passado, você se debatendo embaixo de mim e eu bloqueando qualquer chance de fuga... você ali também era gay? O sorriso no seu rosto depois daquele golpe... agora acredito que não era por conta da minha perfeita técnica, técnica que aprendi contigo, mas pelo prazer do meu corpo contra o seu, deitados, suados em cima do tatame... será? Estou perdido, estou confuso: você é gay, meu querido amigo?
- Que tal praticarmos capoeira, Fabão?
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