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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O suicídio de Helena

Não estava em seu estado normal. Estava transtornada. Não aguentava mais o apartamento, não aguentava mais a vista da janela, não aguentava o brilho etéreo de suas lâmpadas e abajures. E principalmente, não aguentava mais olhar no espelho e ver aquele rosto pálido e frágil lhe encarando de volta. Não aguentava mais aquele vazio.

Todos tinham partido. Helena ficara sozinha consigo mesma. E seus pensamentos eram negativos demais, obscuros demais, exaustivos até. E não conseguia parar de pensar, mesmo esvaziando a mente, a paz durava alguns segundos e logo todo o negrume invadia sua mente e a tomava por inteiro, tornando sua angústia ainda pior.

Não sabia mais o que fazer. Precisava retomar as rédeas de sua própria vida. Era hora de mudar radicalmente. Esquecer a Helena inocente, a Helena sofredora, a Helena dominadora, a Helena submissa, a Helena cheia de segredos. Decidiu recomeçar, se purificar. Começaria pelo armário.
Jogou todas as roupas pretas em cima da cama de casa, com roupa de cama também negra, e começou a escolher e separar em duas pilhas. A maior, roupas que seriam doadas, vendidas ou até jogadas fora, não poderiam mais ficar, estavam carregadas de lembranças, pensamentos, coisas que não faziam mais bem. Já a menor, com umas poucas peças recatadas, com desenhos alegres, ficariam, mas bem no fundo do armário, Helena evitaria o preto daqui pra frente.

Tirou a própria roupa do corpo, enrolou-se numa toalha cor de rosa, simples, mas alegre. Sentou-se à janela e notou que sobraram poucas peças de roupa no armário, praticamente tudo que tinha era preto, até a decoração de seu quarto era preta. Helena precisava de um novo ambiente, precisava de luz.

Enfiou-se no chuveiro, lavou-se até sentir que todos os pensamentos tristes deixaram seu corpo. Vestiu a única peça de roupa alegre que tinha no armário, um vestido vermelho, curto e solto ao redor do corpo, estampado com borboletas brancas. Calçou o único par de sandálias que possuía, uma de salto baixo, também vermelha com branco, ganhara-as junto com o vestido, na última tentativa de sua mãe de fazê-la “mudar de estilo”, como ela dizia.

Saiu para a rua, foi passear e admirar pela primeira vez em seis anos os arredores do lugar que morava. Parecia que era a primeira vez que abria os olhos, os ouvidos, todos os seus sentidos pareciam estar despertando nesse momento. Ouvia os pássaros, o vento, as crianças correndo e brincando e seus pais a lhes cuidar. Via o céu, o sol, as árvores, as pessoas. Sentia o cheiro de grama recém cortada. Sentia o gosto da pipoca doce que comprara. Sentia a textura do banco de madeira onde estava sentada admirando o mundo.

Helena finalmente se sentia completa. A luz, o calor e as risadas a preenchiam, deixavam-na embriagada, faziam-na sorrir. Ela sentira falta desse sorriso espontâneo, natural, inesperado, um sorriso que há muito não aparecia no rosto de Helena. Nem mesmo o suposto amor que sentira tinha feito ela se sentir tão bem.

Agora Helena abandonava essa metade sombria que lhe assolava a alma.

Enfim assumia ser quem realmente era.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Uma guinada

Helena estava no sofá, esperando Marcos chegar para irem jantar, quando o telefone tocou. Era seu chefe, pedindo para ela adiar a folga, que nem sabia que teria, pois havia um cliente especial da boate querendo falar com ela. Ligou para o namorado, perguntando do que se tratava essa ‘folga’ e explicando que teria de ir trabalhar.

Marcos ficou chateado, mas cancelou a reserva e levou Helena para comer qualquer coisa numa lanchonete perto da boate. Inventou algo sobre querer comemorar o aniversário deles a noite inteira e foi pra casa derrotado. Helena desculpou-se e prometeu compensar para ele no próximo mês.

Helena estava novamente com roupas sensuais, e, chegando ao balcão já localizou o chefe para saber quem era o cliente e o que ele queria. Dani, o chefe, explicou que queria Helena no ‘negócio’ paralelo em que ele investia. Ele queria que ela trabalhasse como acompanhante para os melhores clientes da boate.

Ela ficou hesitante, mas Dani e o cliente a confortaram e convenceram-na de que ela teria apenas que ir à uma festa, fazer companhia mesmo. Helena aceitou. O cliente desfilou pela festa com Helena como se ela fosse um troféu, sorridente, orgulhoso. Apresentou-a como uma amiga estimada. E depois deixou-a em casa, despediu-se com um carinhoso beijo no rosto de Helena, entregou-lhe um envelope pardo com seu pagamento e prometeu ligar mais vezes.

Helena aproveitou o dinheiro extra para se dar alguns luxos e decidiu continuar nesse ramo, mas sem conversar com Marcos; ele surtaria. Mesmo Helena não fazendo nada de mais.

Por enquanto…

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Dois lados da mesma noite

Marcos chegou em casa do trabalho e pegou o telefone. Estava ligando pra ela pela terceira vez só naquela sexta feira. Ela atendeu ao terceiro toque. Como já lhes era de costume, conversaram por quase uma hora e combinaram de se encontrar antes do turno dela na boate. Ele a levaria para jantar, depois fariam amor e ela iria trabalhar. Essa era a rotina durante a semana, a mesma rotina dos últimos meses.

Mas hoje seria diferente. Ele falara com o chefe dela e ela não iria trabalhar hoje. E o jantar seria mais do que especial. Hoje eles completavam três anos de namoro, um namoro estável e intenso. E ele preparara uma noite única. Marcos iria pedir Helena em casamento.

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Helena estava se arrumando para jantar com Marcos num restaurante chique da cidade. Ela separou uma roupa mais provocante para ir trabalhar depois, preocupada com o horário, pois o restaurante ficava muito longe da boate.

Ela ficou se perguntando o que Marcos estaria tramando, pois normalmente jantavam rapidamente numa lanchonete qualquer para depois transarem até a hora do turno dela começar. Mas hoje seria diferente. Três anos de namoro. Helena nunca passara tanto tempo com um cara só. E nunca gostara tanto de outra pessoa como gostava de Marcos.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O começo do fim


Helena estava num canto escuro, observando as pessoas que vieram de divertir neste sábado. Seu turno na boate já havia acabado, ainda não passava das duas da madrugada, mas as colegas que moravam com ela na república já haviam partido; elas tinham uma prova importante na manhã de domingo.
Apesar de estar cansada, ela ainda precisava encontrar a vítima da noite. Estava de olho num bonitinho que ficara pendurado no balcão durante todo o seu turno. Ele passara a maior parte do tempo descascando amendoins e pagando bebidas para jovens loiras oxigenadas, então ele provavelmente não estava bêbado, o que contava pontos para a inteligência de Helena.
O bonitinho voltara do banheiro direto para o balcão, mas a garota estonteante não estava mais lá. Pegou uma cerveja e foi procurá-la. Ela encontrou-o primeiro, abordou-o com um sorriso. Ele derreteu-se por ela. Conversaram por mais de uma hora. Ela vestia uma saia minúscula e um espartilho apertado e decotado, vestida para matar. Ele não desviava o olhar das coxas à mostra, não escondia seu desejo.
Terminaram a noite na cama dele. Antes passaram pelo banco traseiro do táxi, pelo elevador, pelo sofá da sala, pelo chão do corredor e pelo chuveiro. Quando finalmente deitaram na cama, já estavam exaustos, mas continuaram transando muito tempo depois do nascer do sol.
Assim que o rapaz dormiu, Helena levantou e procurou suas roupas espalhadas pelo apartamento. Ela sentou-se por um longo tempo na janela, admirando a manhã de domingo e o rapaz atencioso, inteligente e carinhoso que dormia tranquilamente.
Ao passar pela porta, uma lágrima solitária corria pelo rosto de Helena. Ela finalmente estava se arrependendo de tudo que vinha fazendo com os homens nos últimos anos. Deixara seu número verdadeiro no criado-mudo do rapaz e partira, esperando que em breve pudesse recuperar sua paz de espírito.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Um novo cliente


Helena atendeu o telefone. Dani, seu chefe, pediu para ela vestir uma roupa nova hoje; cliente novo. Ela saiu para fazer compras. Quando o telefone tocou novamente era Marcos, o namorado. Ela não atendeu. Ele andava cobrando satisfações demais ultimamente, e ela não queria explicar onde estava e o que estava fazendo.
À noite, Helena foi sozinha para a boate, onde não passou muito tempo, pois o cliente já estava esperando para levá-la para jantar. Ao entrar no carro, ele passou a mão na coxa de Helena e sussurou “adoro mulheres safadas”, dando-lhe um sorriso maroto. No restaurante, ela tirou o sapato e passou seu pé lentamente pela perna dele.
Conversaram banalidades e enquanto esperavam a sobremesa, Helena derrubou um brinco embaixo da mesa. Ela ficou de joelhos, abriu a calça do cliente e começou a chupar seu pau. Sobre a mesa, o cliente tentava manter a compostura e não transparecer todo o tesão que estava sentindo. Dispensaram a sobremesa.
No caminho para o motel, Helena continuou chupando o cliente, fazendo-o gozar mais algumas vezes. Ao chegarem no quarto, ela arrancou as roupas dele e empurrou-o na cama, montou sobre ele e prendeu suas mãos com o cinto dele. Helena chupou-o mais uma vez e então sentou sobre ele, lentamente, sentindo aquele pau grosso penetrar sua buceta. Ela rebolou e cavalgou por um longo tempo, e quando se cansou, soltou-o e ficou de quatro. Ele meteu com força, e enquanto comia Helena, ele alternava suas mãos entre carícias nos seios e tapas na bunda dela.
Quando finalmente se cansaram, já passava das cinco da manhã. O cliente deixou Helena na casa dela e despediu-se com um longo beijo. Mas antes de sair do carro, Helena chupou-o novamente. Ela entrou em casa e ligou o celular; encontrou sete chamadas não atendidas, todas de Marcos. Helena ignorou-as, desligou o celular e foi dormir.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Dias assim... dias assado.

Foi uma manhã atípica. Acordou atrasado, tomou banho frio por conta de um chuveiro queimado, deixou o leite esparramar, perdeu o ônibus, foi chamado a atenção no trabalho, esqueceu de mandar 'aquele' e-mail para a diretoria. Na hora do almoço, o prato que pediu veio errado; comeu o que não queria. Mesmo assim, fez força e tentou não se estressar. Voltou do almoço acreditando que a 'nuvem negra' passara. Ledo engano. Até o computador conspirava contra. No meio daquela minuta, inesperadamente apagou-se. Foi a revolta da máquina contra o operador. Mas ele era persistente, (respirou fundo) foi ao banheiro refrescar a cuca. Viu no espelho o reflexo de um alguém que a muito não se lembrava. A barba por fazer, olheiras escândalosas, um cabelo desgrenhado. Um rosto amarelo. Pensamentos vão, pensamentos vêm e o medo de desfalecer veio a tona.

" - Será que minha hora esta chegando, e isso tudo é um sinal?"
" - Porquê eu?"
" - Porquê comigo?"

Ouviu o barulho da descarga no reservado ao lado, ao sair, o gordo careca do financeiro fitava-o com certa desconfiança. Devia estar pensando:

"- Que raios esse cara tá fazendo aqui??"

Pouco se importou com o careca, ele já não tinha mais importância. Pra ele, não passava de um fracassado. Trabalhava há mais de 5 anos na empresa, e nunca havia subido de cargo. Era um coitado...

Como a máquina havia se revoltado, foi trabalhar no arquivo. Papéis, traças, caixas, etiquetas. A sinusite apertou, uma dor insuportável na têmpora. Espirros, coriza.
Já não queria mais trabalhar naquele dia, fugiu.
Foi fazer algo inusitado. Imaginou que aquele era o último dia de seus míseros 35 anos. Foi ao parque, comprou algodão doce, maçã do amor, rolou na grama. Sentiu o corpo todo pinicando em virtude das gramíneas, as mesmas que deixavam-no irritado quando o pai jogava-o no chão e rolavam abraçado. Chorou. Bateu uma saudade enorme do pai, aquele que o ensinara preceitos básicos de moral, educação. Um mentor. Seu mentor. O pai morrera anos atrás, e ele nem ao menos chorara durante o enterro. Seus olhos secaram inusitadamente. Foi algo surreal. Queria chorar. Agora, coçando-se, chorava. Copiosamente.
Olhou para o relógio, e lembrou da namorada que devia estar preocupada em casa. Tinha o nobre hábito de ligar para ela, sempre que retornava do trabalho. Ficavam a falar amenidades, pequenos casos do dia a dia... Mas hoje, curiosamente, perdera a vontade de falar com ela. Queria rezar, afinal, imaginava que em poucas horas estivesse em contato com o'Barbudo'. Entrou na primeira capela que encontrou. Caiu de joelhos. Uma sensação indescritível. Pediu a remissão de todos seus pecados, rogou aos santos uma solução.
Talvez tenha pedido com tanto afinco que acolheram-no. Foi o último dia de trabalho, último dia no parque, último choro verdadeiro.
Primeiro dia do resto de sua vida.

Fique em paz...

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Supresa. Sua pressa.

Dia dos namorados passou, e eu casado, não comemoro mais há tempos! Porém, entretanto, contudo... noite passada, acordei com um tesão alucinante. Não deu outra. Ao final do expediente passei no sex-shop, comprei uns apetrechos, falei pra esposa que não se preocupasse em preparar o jantar. Eu faria algo bem light; afinal ja estava com segundas, terceiras, quartas... todas as intenções que voces podem imaginar.

Ela notou pelo meu tom de voz ao telefone, e logo ficou empolgada....

Eu tinha em mente realizar algumas fantasias que há muito tempo ja vislumbrávamos. Minha ideia era testar alguns cremes, géis, fitas e por ai vai.

Marta, minha esposa, sempre se mostrou timida, nunca comentava sobre suas vontades e vez em nunca variávamos do trivial.

Ja passavam-se mais de 10 anos de casório e eu, sempre fiel, estava querendo apimentar as coisas.

O que eu não esperava, meus amigos, é o que vou relatar daqui para frente....

Cheguei em casa, Marta ja estava no banho. Entrei rapidamente, dei oi, ela prontamente disse que ja estava saindo para que eu esperasse um pouco no quarto.

Joguei a sacola com os itens da noite em cima do criado-mudo e me estiquei na cama. Marta realmente não se demorou. Em menos de 5 minutos, ela veio enrolada na toalha, toda manhosa, toda se querendo.

Homem que sou, conheço logo a mulher que tenho.

- Que foi meu amor? Algo me diz que voce esta querendo me falar alguma coisa.... Estou errado?

- Ah... não... Mas, assim.... Ja estamos juntos tem quanto tempo? 10 anos de casados.. mais 2 de namoro... Né?

- Uhum... isso. E?

- E hoje eu acho que é um dia especial, porque quando me ligou eu ja estava preparando uma supresa pra voce.....

- Interessante.... me fale um pouco mais...

- Então amor, não sei como falar de outra maneira sem ser direta....

- Então fale... to ficando angustiado!!!

- Quero um Menage.

(meu pau endureceu, meus olhos esbugalharam, minha mente recriou todos os pornos que eu via desde os meus 12 anos, minha garganta secou)

Não sei descrever minha feição. Mas Marta imediatamente se desculpou....

Eu repliquei.

- Ok. Aceito.

Ela então virou pra mim e disse:

- Corre pro banho então meu amor, que as 22h00 o Luiz chega






quarta-feira, 13 de junho de 2012

Era uma vez, o Eusébio...

Eusébio era o típico nerd. Trabalhava com informática, relacionava-se apenas naquele circulo limitado de internet/trabalho. Poucas eram as mulheres que o cercavam.
Talvez duas ou três amigas que ja eram praticamente irmãs e a mãe.
Eusébio adorava uma pornografia. Escondido, claro! Era daqueles que ficava os finais de semana em casa, rodando os canais na madrugada, caçando aqueles filmes estimulantes.
Ele era 'old-school'; não se interessava muito pela sacanagem escancarada dos sites de putaria.
Curtia mesmo era toda aquela fantasia, aquelas encenações....

Eusébio tinha pouco mais de 20 anos. Pouco menos de duas namoradas. Poucas horas de cama.

Numa dessas noites virtuais, Eusébio foi surpreendido....

quarta-feira, 6 de junho de 2012

quem cala consente, quem não ouve, também.

22h15 da noite, depois de um jantar monotono. Ele senta no sofá, com o notebook no colo, e ela vai para a mesa do computador. Falam algumas amenidades e ele solta:

- Jú, eu te amo.
- Ah, amor! que fofo. Mesmo eu sendo tão boba?
- Uhum.
- Mesmo eu sendo tão insegura?
- Uhum.
- Mesmo eu sendo tão ciumenta?
- Uhum.
- Mesmo eu sendo tão infantil em certas horas?
- Uhum.
- Mesmo eu rasgando sua coleção de quadrinhos?
- Uhum.
- Mesmo eu queimando a camisa do Flamengo?
- Uhum.
- Mesmo eu metendo um chifre em voce?
- Uhum.
- Mesmo eu.... amor? amor??

Ah, seu filhodumaputa, esta de conversinha com um monte de piranha no MSN....


Juliana sai da sala....