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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Doce da vida...


Mas é amargo. É sempre assim? E a vida, parece com ele? Na verdade se adoçarmos aos poucos fica bom. A vida também. Temos nossos torrões de açúcar que ajudam a adoçá-la. Mas nem sempre os torrões disponíveis são suficientes. E aqui, temos os torrões necessários para xícara? Café desperta. E a vida, o que a desperta? Você desperta a minha vida. Você e ele. Cada qual com seu jeito. Sempre a despertam. E eternamente a adoçaram também.  Assim como a fé é o sal da vida, filhos são o que fazer a vida ficar mais doce. E vocês, cada qual da sua maneira, adoçam a minha.

Fecha a caderneta, levanta da cadeira, olha pela janela, puxa a cordinha do sinal, o ônibus para, ele desce e sobe a Bahia em direção a Augusto... Manhãs gris de agosto.

segunda-feira, 25 de junho de 2012


Tinha resolvido seguir as estrelas. Há muito evitava desvios fortuitos para seguir

o seu norte. Rumo ao que ia?, não se sabia. O que importa é que, independente


dos dias, sua sombra sumia em direção aos pés da imensa montanha fria, de

verde intenso e mistérios noturnos.








Sua vida era andar pelo mundo. Por aqui... acolá. Trombando, empurrando pedras e flores, desgostos e amores. Era o seu modo de enfrentar dores. Parava aqui, tomava um. Logo ali, mais uma boca, mais um olhar. Era mais um corpo todo. E mais um pedaço-estilhaço que fica na calçada — mas era bem paga.


Em outros tempos, a voz de Holanda, ainda menina, fazia logo de manhãzinha ecoar pelo quarto um bom-dia. Cheiro de café e pães quentes, de um salto da cama já se ia para o banheiro, cuidar dos longos cabelos negros da noite e do rosto meigo repletos de lampejos. E assim as manhãs se abriam em sonhos despejados sobre as carteiras de madeira velhas da escolinha do lugarejo, a única. Aquilo era o mundo para aquele corpo petit, mais osso que carne, mais sonhos que pedra, um ser humano como outro qualquer.


Assim sempre foi. Irmã de José — filhos sabe-se lá de quem — o mais velho e responsável pelos afazeres domésticos e pelo sustento. Tinha o Zé como uma figura mítica que reunia no corpo de homem feito a atenção de uma mãe e o modo austero de um pai.



Era assim; chegava, beijava Holanda, pães no armário, cheiro da carne no fogo, o sorriso companheiro e a noite se abria em risos. 



Era madrugada, o frio cortava a pele, as horas adiantadas, e Holanda num sobressalto, pés no chão, passo apressado, um vulto pela janela, e a certeza tão indesejada das gentes. A morte. A manhã encerrou aquela noite com um sol desses de queimar a pele e arder os olhos.
Para Holanda, daquele dia, apenas o que era desatino e falta ficou.

Com os anos que aos poucos vinham, ela redescobriu coisas como um amanhecer de sol ameno, sem praia, com comidas simples, sem cheiros verdes, sem o Zé e com lembranças dos sonhos de sorrisos-brilhos como os dos tempos do orfanato.
Passou a achar bem sair nas noites e andar sem rumo. Era o desejo de debelar os dias que a levava perambular por vielas estreitas. Aos poucos, entregou-se às incertezas das esquinas. Era apenas uma forma de levar ou velar a vida. Com chicotadas domou os dias. Tudo se tornou tão normal. Viver era simples.

Naquela manhã, acordou, pegou o cigarro, colocou-o na boca, andou a passos lentos rumo à janela, olhou o céu tingido de azul — apesar de tudo — e tragou profundamente. Só então, percebeu que o fumo estava apagado, não tinha fogo, ainda não fumava. Num gesto sereno e largo, se encostou na cama e começou a ouvir músicas, sons, veredictos, ofensas, juras de amor, urros de prazer forçado, sorrisos, gargalhadas de escárnio e o som mudo da noite anterior. Os olhos choveram.
Naquele dia, Holanda, mais uma vez, não dormiu. E nem fez falta.



Restavam apenas carne e sonhos.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Como me gostaria um inimigo

Um bom, capaz de ser alvo o bastante. Assim, o condenaria a me ser na vida. Preso em tudo que sou, estaria ele condenado a despertares dolorosos, tardes nebulosas e noites repletas de estrelas estáticas, sem brilho.

hoje acordei meio aflito... deve ser a "tesoura do desejo",

mas o ar ainda está denso, as luzes opacas e o dia? parece-me que vai se desfazer em água...

acho que o sentimento do mundo é pouco para o que trago...

acho que vou precisar de mais um mundo.