E eu não queria nada. Nada mesmo. Só queria ficar
ali,abraçadinho a ela. Ela me acariciando. Nem sexo precisava. Só o toque dela
bastava.O cheiro dela basta. O sorriso dela basta. Não preciso de mais nada.
Ela, ela, ela. Oi? Direito ou esquerdo? Assim está bom?
Mas você não tem noção de como a noite foi boa. Abraçadinho
a ela. Num "Love" só. Ela ali, ao lado, jogada na cama, toda
carentinha, esperando meus carinhos. E eu aproveitando cada centímetro de
felicidade. Cara, eu não me continha de tanta felicidade. Ela toda, toda. Eu
todo, bobo. Uma coisa de louco. Acho que
estou apaixonado. Onde eu a encontrei? Numa destas sortes que o mundo te
presenteia. Coisa do acaso mesmo. Achei que seria só mais um casinho, destes de
feriado, mas nada, o trem está pegando fogo. Estou com medo não. Vou pular mais
ainda de cabeça. Sim, um dedo abaixo da orelha. Isto, aí está bom. Ótimo. Está
ficando show. Homem tem que ter costeleta. Claro. Sempre!
Pois é, sempre é complicado. Este trem de relacionamento é uma
confusão só. Se vale a pena? Claro que vale. Tudo vale. Com ela eu vou até
a lua. Sem sacanagem, vou mesmo. Rapaz estou te falando, só de ficar abraçadinho
eu ganho o dia. Coisa de neguinho apaixonado? Ah, você pode ter razão, mas o
que posso fazer? Estou de quatro por ela. Deus sabe o que faz, não foi à-toa
que a colocou na minha vida. E ela falando no meu ouvido: "Cariño
mio”. Não tem como não suspirar. Será?
Não sei. Vou ficar de olho nisto. Mas está muito vermelho? Pode, passa a pedra
aí e vamos ver se melhora. Creminho é pra veado.
Aumenta, aumenta aí. Este samba me faz lembrar ela. Olha a melodia.
Sente o gingado. Olha esta poesia. Pu-ta-que-pa-riu. Como não ficar bobo com
esta mulher? É cara, a vida está ficando boa. Mas é sério, nem precisava de sexo,
só de ficar ali abraçado com ela me satisfazia. Cariño mio, Cariño mio, Cariño
mio. É coisa de pele. Química. Sei não, viu... Com este Ronaldo no Galo, acho
que vai danar tudo. É, tem que ter fé. Mas não estou ligando pro Galo não.
Minha paixão tem outro nome. Acabou? Deixe-me ver o pezinho aí atrás. Uai, não
é que ficou bom? Tem como passar o talco pra tirar os cabelos agarrados? Este
talco é novo? O cheiro dele é diferente. Olha o samba... Cara que loucura, viu.
Qual é a minha dívida? Pode ficar com o troco. Semana que vem
volto e fazemos esta barba. Branca demais, não é? Também lembro quando não havia
nem um fio de cabelo branco, mas a idade chega pra todo mundo. É, tem razão,
melhor chegar do que não vê-la chegar. O nome dela? Esperanza. E não é que não está me dando esperança na vida?
Vou nessa, abraço na família e fé no Galo.
Assim ele sai da barbearia, desarma o alarme, abre a porta,
entra no carro, acende um cigarro, liga o aparelho de CD e começa a cantarolar um
bolero.
Brilhante.
ResponderExcluir