Pois bem,
hoje era o dia. O tão sonhado dia.
E você Estela, onde está?
À minha frente apenas o papel e a caneta. Ele branco. Alvo como o seu sorriso naquele dia em que lhe conheci. Sorriso leve que me levou até onde não imaginaria chegar. Já ela, rubra, como as lágrimas daquele choro latente do qual me servi no instante que lhe vi. Ali, de mãos dadas com aquele. Agora estou aqui. A minha frente, um papel e uma caneta.
Estela, como pode fazer isto comigo?
Fiquei meses e meses e meses preparando a vida para este grande dia. Era assim que nos referíamos há este dia: O grande dia. E agora, de que me adiantou as flores e os versos? Os cafés expressos e a dança de salão? Os passeios de mãos dadas e as tardes ensolaradas no banco da Praça da Liberdade? De nada adiantou. Agora estou aqui. E a minha frente, um papel e uma caneta.
E você, Estela? Será que pensou em mim ao menos uma única e estúpida vez?
Não há um só dia em que não penso em você. Seu cheiro de flor, flor que até hoje não descobri qual seria. Seu toque em minha pele. Seu hálito que me consumia. Seu andar malemolente que me fazia encantar pelas ruas de Belô. Seus pés que me pisoteavam, e ao mesmo tempo entorpeciam-me com o prazer de estar sob você. Sem falar no sexo, esse que me deixava completamente umedecido com teu gozo. E agora estou aqui. À minha frente, um papel e uma caneta.
Será, Estela? Você viu o que eu vi?
Diga-me, o que faço com estas borboletas? Elas que ainda estão aqui me infernizando a vida, pois a sua lembrança ainda me consome. Mas tudo bem, Estela. Ainda tenho o papel e a caneta a minha frente
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