segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Vem sambar, Matilde


Foi no seu balanço e mais dois whiskys que decidi parar. Andei tantos e tantos anos. E neste seu swing eu resolvi parar. Você me mexe. A mecha ruiva lilás de seus cabelos loiros também me mexe. Seu corpo cor de fogo me mexe. Definitivamente você, morena, me mexe.  O copo está transbordando, o gelo derrete, o seu fogo, o meu fogo, dormência num único copo, samba-rock na vitrola, um black no cristal, você, minha black, a dançar sala adentro. Tranco a porta, não te quero lá fora. O mundo... o mundo que se exploda, pois você, minha belezura, é minha, só minha, dance... dance... troco, claro que troco, sempre troco suas sandálias de prata quantas vezes forem necessárias. Vem...
Rebolo desconjuntado ao seu lado. Qualquer um fica no desengonço total ao seu lado. Olhe seus passos, me passe um pouco do teu mel. Me lambuze em teu corpo nu. A dois por dois suplica sua presença. Fecho a luz, apago as cortinas, danço no seu rebolar. Rebolo em você. O doce do carvalho no teu corpo, você é meu copo. Embebedo-me em teus poros. Desejo você como nunca, como sempre, como tudo. Você e seu swing. Desengonço mais uma vez e caio nas graças dos meios de suas coxas. Embriago-me em teus caldos. Suma com esse importado, o que me interessa é o teu produto nacional. Viro Hugo e nacionalizo você. Você é a musa. Minha musa. Quente e doce os meios de suas coxas. Dance...
Ébrio, no teu corpo, adormeço.  Mesmo em sonhos rebolo com seu rebolar. Caminhos que caminhei. Desejos que desejei. E agora, depois destes dois whiskys e seu balanço, resolvo parar. Pulo em puro júbilo, demente é quem não ama, nem que seja por uma noite, por uma mulher, por uma calcinha dependurada no box do banheiro pela manhã. Eu te amo minha musa nacionalizada na República Federativa do Santa Tereza. Até essa, minha linda e única deusa, está encantada com seu rebolar, e é por isso que Tereza continua a cantar, com suas sandálias de pratas. Durma...
A bolacha para de tocar, o whisky barato no copo, a cabeça a girar e Jorge Ben profetizando: Vem morena vem, Vem morena vem sambar, vem morena vem, que o samba está a lhe esperar... enquanto isto, fico com estes dois whiskys...

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