sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Sexo a 3


Esperava impaciente a sua vez. O terceiro colocado no jogo de azar feito lá em baixo, num bar mal falado onde todos são suspeitos, esperava na porta, inquieto, a hora em que a mulher dama o chamaria para consumar sua dívida de sexo.

Pagaram antes, os três. Três notas para cá, três promessa pra lá. Entrou o primeiro e ouviu-se gritos falsos da puta, gemidos de prazer contestáveis e o ranger da cama de mola velho. Fechou os olhos e imaginou o lugar: luz vermelha, um rolo de papel higiênico para a primeira e última limpeza dos órgãos sexuais, candelabro em cima de um criado mudo, tapete velho nos dois lados da cama, uma velha pia pingando água insistentemente e o cheiro característico de sexo permeando o ambiente promíscuo. Entrou o segundo pouco tempo depois e os mesmos gemidos, os mesmos gritos que soam falsos à ouvidos atentos e o mesmo ranger de molas. Saíram os dois, ajeitando as roupas, e o terceiro entrou. A dama ordenou que tirasse a roupa e o frangote assim o fez, ainda trêmulo. Com suas unhas vermelhas, terminou de puxar a peça que encobria as vergonhas e pôs-se a chupar a rola adormecida do rapaz. Ele observava o ambiente: pedaços de papel lambrecados de sêmen espalhados ao lado da cama, a roupa barata de quenga no cabide e porra seca grudada no cabelo longo da prostituta.

Afastou-a rispidamente. Dela ouviu desaforos, ouviu a verdade que era virgem, ouviu risos dos amigos que lhe esperavam do outro lado da porta, ouviu o desabafo do seu peito. A respiração tornou-se menos ofegante assim que desceu as escadas e ganhou a rua, desta vez sozinho.

Havia se tornado um homem.

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